Áudios obtidos pela Delegacia de Repressão ao Crime Organizado (Draco) revelam que o delegado Braz Morroni, preso na Operação Perfídus, orientou um escrivão a registrar um boletim de ocorrência com dados falsos para encobrir o desvio de drogas na Polícia Civil da Paraíba.
As investigações apontam que a organização criminosa, integrada por agentes públicos e traficantes, utilizava a estrutura do Estado para desviar entorpecentes e pode ter movimentado cerca de R$ 10 milhões nos últimos quatro anos.
De acordo com o relatório da Draco, o delegado instruiu o escrivão, identificado como "Quinze", a falsificar a data e a dinâmica de uma apreensão ocorrida em 11 de outubro de 2025 no bairro de Crimes Contra o Patrimônio, em João Pessoa, oficializando o registro apenas no dia 17 do mesmo mês.
Dados de GPS da viatura e fotos apagadas recuperadas do celular do delegado confirmam que ele e o investigador Eduardo Jorge, conhecido como "Mão Branca", estiveram no imóvel no dia do recolhimento do material. Enquanto o boletim oficial contabilizou apenas 1,5 kg de entorpecentes, a perícia técnica estima, com base nas imagens dos pacotes, que o volume real confiscado passava de 100 kg.
A rede criminosa contava com uma divisão clara de tarefas. O agente Everton Aires, o "Bomba", atuava como o elo central entre os policiais e o tráfico. "Mão Branca" era responsável por monitorar carregamentos concorrentes com rastreadores e estocar o material subtraído em sua própria residência. Já o delegado Braz Morroni utilizava o cargo para blindar os subordinados e participava diretamente do rateio dos lucros.
O esquema consistia em receber denúncias de traficantes sobre a localização de drogas de grupos rivais, realizar a apreensão oficial de uma quantidade mínima e revender o restante para os próprios informantes. Dos nove mandados de prisão expedidos pela Justiça, oito já foram cumpridos.
Fonte: Repórter PB